A Mente de uma criminoso

A questão do crime envolve uma série de reflexões e comentários que ultrapassam em muito o acto delituoso em si. O mesmo tem acontecido em volta da morte do policial militar Renato devido a tamanha violencia envolvendo sua morte, as pessoa tem construido diversas tezes em relação ao caso, o por que, quem poderia ter sido, o que ele teria feito, ele era mau, quais foram os motivos entre outros, por isso tentamos aqui entender a mente de um crimiso ou seja determina parametros psicologico do crimisos envolvidos neste caso.

- A agressividade será inata ou aprendida?

- Porque é que aquele indivíduo cometeu um crime?

- Estaria perturbado psiquicamente?

- Estaria encurralado socialmente?

- Teria sofrido alguma lesão cerebral?
Ou…
- Seria simplesmente uma pessoa má?

PERSONALIDADE CRIMINOSA


A personalidade criminosa gera alguns desencontros ideológicos entre psicólogos, psiquiatras, antropólogos, sociólogos, entre outros.

Alguns identificam estas pessoas como tendo transtornos de personalidade, outros como tendo traços de personalidade bem definidos.

Parece aceitar-se, em ambas as partes, que há uma determinada personalidade inclinada para o crime.

As duas figuras mais temidas do desvio da conduta humana são o louco alienado e o criminoso cruel.

O reconhecimento da existência de uma personalidade em estado perigoso faz com que a sociedade não se preocupe mais com a gravidade do acto criminoso. A noção de periculosidade nasceu do conceito de alguma patologia incrustada na personalidade do criminoso, atenuando assim, a responsabilidade plena dos actos cometidos prevenindo a sociedade da presença incómoda de certo indivíduo inadaptado e potencialmente perigoso, fechando-os em instituições adequadas às suas necessidades.


Lombroso distinguiu cinco tipos de personalidade criminosa:

1.Criminoso Nato – portador de um património genético causador da sua criminalidade. Este criminoso é o “Homem Selvagem”, uma espécie de sub-tipo humano, um ser degenerado
2.Criminoso Louco ou Alienado – portador de uma perturbação mental associada ao comportamento desviante, considerado como um louco moral
3.Criminoso Profissional – não possui bases biológicas inatas mas torna-se criminoso por forças e pressões do seu meio. Começa por um crime simples e ocasional e pode reincidir.
4.Criminoso Primário – comete um ou outro crime por força de um conjunto de factores circunstanciais do meio, mas não tende para a reincidência.
5.Criminoso por Paixão – vítima de um humor exaltado, de uma sensibilidade exagerada, nervoso, explosivo e inconsequente, a quem a contrariedade dos sentimentos leva a cometer estes actos, impulsivos e violentos, como solução para as suas crises emocionais.



Eysenck, por sua vez, defende, também, uma personalidade criminosa predeterminada. Segundo ele o comportamento criminoso é o resultado entre factores ambientais e características hereditárias.

A teoria mais aceite actualmente, e, também, a mais actual, é a de De Greeff, que defende que a compreensão das vivências interiores do delinquente e o processo do acto criminoso, partindo dum pressuposto de que o delinquente não é um ser diferente, por natureza ou qualidade, das outras pessoas. O “Homem Criminoso” seria igual ao “Homem Normal”, diferindo, apenas, em relação a um certo número de características, as quais facilitam nele a execução do acto criminoso. Deixamos, então, o constitucional ou degenerado e passamos a considerar o conjunto de processos psicológicos, afectivos, morais e sociais (a historia pessoal do sujeito), que possa, eventualmente, contribuir para o acto criminoso.

De Greeff deu ênfase à periculosidade. Esta tem três determinantes: a personalidade criminosa, a situação perigosa e a importância sócio-cultural do acto.

A personalidade criminosa é dinâmica devido aos traços constitutivos e à adaptabilidade social.

A personalidade é a matriz de produção da acção e define as condições e modalidades a agir, enquanto o acto criminoso seria o processo de materialização dessa personalidade.

Actualmente é difícil aceitar-se a existência de uma personalidade tipicamente criminosa, apesar de se defender que a existência de diferentes formas de organização da personalidade, de diferentes maneiras de integrar os estímulos do meio e os processos psíquicos e de diferentes maneiras de relação com o mundo exterior.

Em conclusão, o criminoso estabelece uma representação da realidade, desenvolve uma ordem de valores e significados, na qual a transgressão adquire um determinado sentido e se forma, em dado momento da sua história de vida.


PERSONALIDADE

A personalidade é a organização de dinâmica dos traços no interior do Eu, formados a partir dos genes particulares que herdamos, das experiências singulares e das percepções individuais que temos do mundo, capazes de tornar cada individuo único na sua maneira de ser e de desempenhar o seu papel social.

Psicologia da Personalidade

É o ramo da psicologia que trata dos modelos gerais de comportamento do indivíduo. Tem dois aspectos essenciais:

◦O aspecto teórico que trata da descoberta dos princípios que governam os fenómenos fundamentais. Os teóricos da personalidade procuram descobrir os princípios de desenvolvimento da personalidade.
◦E o aspecto prático que diz respeito à aplicação do conhecimento teórico. Os psicólogos clínicos são os técnicos do aspecto prático e tentam ajudar as pessoas que sofrem de perturbações de personalidade.


“Nunca conseguiremos tratar eficazmente os problemas humanos se persistirmos em simplificá-los demasiado.”

Conceito de Personalidade

O conceito de personalidade tem origem na constância que se observa no comportamento do sujeito durante um período de tempo e numa gama de situações diferentes. Por exemplo, uma aluna tímida no secundário tende a sê-lo na universidade e num emprego futuro.
As pessoas tendem a comportar-se uniformemente porque transferem o que aprendem numa situação para outra.
Mas, a personalidade não é imutável. É influenciada pelas experiências e por variáveis situacionais (as motivações são, também, mutáveis). Esta falta de constância do comportamento foi demonstrada por Hartshorne e May.
Outros factores que influenciam a constância da personalidade são a semelhança física e a conceptual. Por exemplo, uma criança que é honesta num jogo de futebol sê-lo-á, também, numa sala de aula. Burton e Hoffman confirmaram que a solidez da honestidade/desonestidade aumenta à medida que as crianças crescem.
As reacções de ansiedade são outro factor a considerar na manifestação da personalidade. Estas dão-se em função da pessoa e da situação
Se o comportamento não é totalmente uniforme, também não é totalmente disforme, o que contribui para a previsão do comportamento humano.


Personalidade é, então, os aspectos internos e externos peculiares relativamente permanentes do carácter de uma pessoa que influenciam o comportamento em diferentes situações.

Transtornos da Personalidade:

Os transtornos da personalidade afectam todas as áreas de influencia da personalidade de um individuo. O modo como vê o mundo, a maneira como expressa as suas emoções e o comportamento social.
Caracteriza um estilo de vida pessoal mal adaptado, inflexível e prejudicial a si e aos outros. As pessoas que apresentam transtornos da personalidade têm uma maior rigidez e menor flexibilidade no modo como respondem e experimentam os diferentes contextos sociais.

INTERPRETAÇÕES TEÓRICAS DA PERSONALIDADE

Para a compreensão da personalidade é importante descobrir como se desenvolve a personalidade e inventar métodos de medida da personalidade. Nós iremos focar mais a parte de descobrir como se desenvolve a personalidade.

A interpretação psicanalítica da personalidade

Freud fez observações acerca da personalidade humana, formulou a teoria psicanalítica da personalidade e é o Pai da psicanálise. Dedicou-se a tratar de doentes com problemas psicológicos e observou relações entre as dificuldades do presente e relatos do passado.

Psiquismo:

Freud considerou três importantes níveis do psiquismo: o consciente, o preconsciente e o inconsciente. Disse que este era como um iceberg em que o consciente era a parte visível do iceberg, o preconsciente a parte que oscila com as ondas do mar e o inconsciente a maior parte do iceberg que é a parte que não se vê. A figura 1 mostra esta descrição.




Figura 1

Ou seja, o consciente é a parte do pensamento de que o individuo tem consciência; o preconsciente diz respeito aos factos que não estão, de momento, no consciente mas que podem sê-lo sem dificuldade, por exemplo eu estou agora a escrever este texto e não estou consciente do que comi ao almoço, mas, como acabei de o escrever, a lembrança do que comi ao almoço torna-se consciente. E o inconsciente é aquilo de que a pessoa não é conhecedora mas que pode influenciar o seu comportamento. Para Freud o inconsciente é um mundo bem mais complexo e interessante. Todos os impulsos, conflitos e experiências podem afectar o nosso comportamento mesmo que inconscientemente.

A personalidade segundo Freud:

Há três dimensões a considerar na personalidade.
O id que é inteiramente inconsciente e representa os impulsos animais, o ego que existe nos três níveis do psiquismo e é a razão que modera e controla o id e o superego e, o superego que existe, também, aos três níveis e que representa o Homem civilizado com os seus princípios éticos e morais.

Segundo Freud todos nascemos com libido (energia psíquica) que nos impele a procurar o prazer, em especial o prazer erótico.

O desenvolvimento da personalidade far-se-ia, então, numa sucessão de estádios chamado desenvolvimento psicossexual. Este desenvolvimento é caracterizado por um modo dominante de conseguir a satisfação libidinosa. Os estádios do desenvolvimento psicossexual são descritos da seguinte forma:

◦Estádio I
◦Estádio II
◦Estádio III
◦Período de Latência


Nota: o indivíduo pode fixar-se em qualquer um destes estádios.

Uma das principais consequências do desenvolvimento psicossexual é a mudança operada do id, ego e superego.
O id determina o comportamento infantil. À medida que a criança passa pelos vários estádios de desenvolvimento o seu ego torna-se mais forte, vai tendo mais poder sobre o id controlando-o mais e melhor. O papel do ego é controlar o id ou seja, fazê-lo satisfazer os impulsos biológicos de maneira socialmente aceitável.

O papel do ego é muito importante não só no sentido de, a criança, quando nasce, herda um débil sentido de moralidade e adquire princípios e valores a partir da experiência como refreia o superego e controla o id. Se o desenvolvimento psicológico é normal o ego torna-se suficientemente forte para o fazer. Se não há desordens de psicológicas devido ao constante conflito ente id e superego. Se o id se torna demasiado forte o indivíduo entra em conflito com a sociedade. Se o superego se torna demasiado forte, o indivíduo torna-se demasiado temeroso em relação às suas satisfações biológicas.

A personalidade adulta emerge das primeiras experiências. A teoria do desenvolvimento psicossexual é uma tentativa de identificar as primeiras experiências que moldam o comportamento do indivíduo adulto.


Segundo Freud, todo o comportamento tem uma causa. Certos “enganos” são motivados. O Homem é, muitas vezes, inconsciente dos estímulos a que responde ou/e das respostas que dá como, muitas vezes, é inconsciente das suas motivações.

As dificuldades psicológicas derivam do facto de as pessoas serem inconscientes das suas verdadeiras motivações (sugestão pós-hipnótica).

Portanto, as reacções das pessoas aos outros são ambivalentes, ou seja, exprimem um conflito de atracção – repulsa. As reacções ambivalentes em relações íntimas são importantes. Por exemplo, uma criança quer ver televisão bem perto dela. Mas, como lhe faz mal à vista, os pais não a deixam ver televisão assim tão perto. Nesta reacção há um sentimento positivo mas uma atitude negativa por parte dos pais, pois estes causam frustração na criança, apesar de terem boas intenções.

Mecanismos de Defesa:

Os mecanismos de defesa são reacções à frustração do tipo do deslocamento, racionalização e regressão.

As pessoas adoptam estas formas de comportamento em variadas situações de tensão. Freud interpretou-as como técnicas do ego para controlar os impulsos do id. Podemos interpretar estes comportamentos como respostas instrumentais que provocam reforçamento, levando o indivíduo a evitar ou a escapar a estímulos que possam provocar medo.

O recalcamento é o mais fundamental de todos estes mecanismos pois o indivíduo esquece a hostilidade.
Shaw, Erikson e Kuethe, Glucksberg e King estudaram o recalcamento e concluíram que tendemos a esquecer os factores que produzem ansiedade.
Segundo Freud o facto desagradável não é só esquecido, como continua a exercer um efeito fundamental nos nossos comportamentos (como foi verificado por ele nos seus pacientes). Os medos irracionais demonstram o facto de que as recordações recalcadas podem influir no comportamento presente. Por exemplo, uma senhora andava com problemas sexuais com o seu marido e estava com medo de ser frígida. Foi ao psicanalista e fez algumas sessões hipnóticas e acabou por descobrir que, quando era criança tinha sido abusada sexualmente pelo avô. Esta foi uma experiência recalcada que, mais tarde, influiu no comportamento presente da senhora. Este mecanismo é, de certa maneira, económico visto que, opera como resposta condicionada de afastamento para preservar o organismo das situações causadoras de medo.

Segundo Freud a motivação tem muita influência no nosso comportamento, particularmente a motivação sexual.

Possuímos dois tipos de instintos, segundo Freud:

◦Instintos de vida que se orientam para o amor e para o prazer
◦E instintos de morte que se orientam para a destruição (nomeadamente a agressão) e para a morte

Freud influiu sobre psicólogos que se empenharam principalmente em ajudar os indivíduos a vencer as suas perturbações de personalidade


Outras vertentes psicanalíticas que derivaram da Teoria de Freud:

Alfred Adler
(um dos primeiros discípulos de Freud)

Adler achou que a insistência do Mestre sobre a sexualidade como determinante poderosa da personalidade adulta era uma interpretação exagerada e deformada. Para ele, a força essencial propulsora do comportamento é o impulso da afirmação pessoal. Então, a criança recém-nascida seria constantemente frustrada por ser fraca e incapaz (de subsistir, essencialmente). Procurando o poder para vencer a sua incapacidade, ela compensa-se das suas incapacidades mediante a aprendizagem de técnicas que a habilitam a dominar os pais.
Portanto, a personalidade da criança resulta de modelos de comportamento que ela aprende nessas tentativas de dominação.
Por exemplo, o homem e a mulher não se desenvolvem psicologicamente de modo diferente apenas por causa dos seus diferentes sistemas fisiológicos. É a ordem social que determina o comportamento masculino e feminino. Ou seja, os tipos de comportamento que qualquer um deles exibe são resultado dos métodos pelos quais aprenderam a conseguir o poder e a encontrar o seu caminho de vida.
Segundo Adler, a personalidade é moldada mais pela sociedade que pela biologia.

Carl Jung
(amigo de Freud)

Jung não podia aceitar a insistência de Freud sobre o sexo. Embora aderisse ao conceito de libido, não a restringiu aos prazeres sexuais.
À medida que a pessoa se desenvolve, a libido modifica-se. No início da vida é dirigida para o alimento, na infância para o jogo, na puberdade para as relações heterossexuais e, mais tarde, para os valores espirituais.
Alarga também o mundo do inconsciente de maneira a incluir o inconsciente colectivo , herdado das gerações passadas. O comportamento individual tem raízes na história do género humano, impelindo-o à auto-realização em que se harmonizam forças contrárias, como a extroversão (Mundo externo) e a introversão (Mundo interno).
Esta teoria destacou-se pelo relevo que Jung deu à espiritualidade em sentido místico e religioso.

Erik H. Erikson
(aluno de Anna Freud)

Erikson substituiu a teoria psicossexual por uma psicossocial.
O ego desenvolve-se continuamente aprendendo a dominar as crises sociais que ocorrem nos diversos estádios da vida:

◦Primeiro ano: confiança contra desconfiança
◦Juventude: intimidade contra isolamento
◦Vida Adulta: integridade contra desespero

O desenvolvimento social positivo conduz a uma identidade adulta bem formada, clara. Já o contrário, conduz a uma identidade indefinida e de descontentamento, em que a pessoa não sabe quem é e, por isso, torna-se incapaz de alcançar um objectivo, nunca alcançando, assim, um sentido de plenitude e de auto-realização.

A sua teoria destacou-se pelo conceito da crise de identidade, que se refere à luta interior do adolescente pela definição de si próprio, de que tanto se fala actualmente.
PERSONALIDADE E TEORIA DA APRENDIZAGEM





Segundo qualquer uma destas teorias, a personalidade é modelada por experiências de aprendizagem.


Teoria Neobehaviorista

John Dollard e Neal Miller, influenciados pela teoria freudiana, acentuaram a importância da motivação mas negam que qualquer sistema libidinal inato controle o desenvolvimento da personalidade através de estádios predeterminados.
Segundo esta teoria, a criança, motivada por impulsos biológicos, aprende hábitos importantes e adquire novas motivações que moldam a sua personalidade à medida que matura.


Teoria da Aprendizagem Observacional/Social

Bandura formulou esta teoria que sublinha que, imitando um modelo, adquire-se nova informação que serve de guia para um futuro comportamento.
Segundo ele há dois tipos de aprendizagem por observação:



◦A aprendizagem directa em que aprendo com o que me acontece


◦E a aprendizagem indirecta em que aprendo com o que acontece aos outros. Ou seja, eu aprendo observando o comportamento do outro e a reacção dos outros sobre ele, imitando ou evitando imitar o outro, conforme a reacção dos outros. Por exemplo, uma criança vê uma outra criança a tirar macacos do nariz. Imediatamente é repreendido pela mãe, então eu, vou evitar imitar essa outra criança pois observei que a outra pessoa (a mãe) reagiu negativamente àquele comportamento.


Geralmente imitamos aqueles que elegemos como os nossos modelos.



Teoria da Aprendizagem por condicionamento operante

Skinner formulou esta teoria que visa descobrir as causas do comportamento nos factores ambientais, nomeadamente aqueles que controlam os reforçamentos.
A perspectiva de Skinner põe em evidencia o que o organismo faz do que aquilo que é motivado a fazer ou o que observou os modelos a fazer.
A personalidade é modelada por experiências que ocorrem ao longo da vida como frustrações impostas por figuras de autoridade, comportamento carinhoso, entre outros.
Se uma resposta for recompensada, fortalece-se. Se, pelo contrário, não o for ou houver castigo é enfraquecida. As respostas são mantidas ou eliminadas consoante as suas consequências.
É importante visar que a importância de cada aprendizagem varia de criança para criança, de acordo com o que ela transfere para outras situações e que, esta teoria não nega a importância dos factores genéticos mas reconhece os seus efeitos que diz, interagirem com a aprendizagem.

Concluímos então, segundo estas teorias, a personalidade não é inflexivelmente determinada por qualquer sequência de situações ou acontecimentos. Devemos tentar mostrar como alguns problemas graves que os indivíduos encontrem podem moldar a sua personalidade.



Interpretação Humanista da Personalidade:

“Todos nós sentimos necessidade de sermos mais do que somos para nos tornarmos naquilo que podemos ser.”

Estas interpretações põem em relevo o futuro e a realização pessoal. O futuro é mais importante que o passado pois aquilo em que a pessoa está a tornar-se determinará aquilo que ela é.
A melhor solução para conflitos internos é um compromisso entre as forças opostas. Por exemplo, se se conseguir estabelecer um certo equilíbrio entre as tendências competitivas, então o sujeito pode dominar os problemas da vida. Se isto não acontecer, irá deparar-se com dificuldades psicológicas. Tal concepção de vida é considerada, pelos humanistas, como vazia.



Interpretação Humanista de Maslow




Segundo Maslow, embora o ambiente em que as pessoas estão inseridas influencie a determinação do nível motivacional a que ascenderão, todos temos capacidades para atingir o nível da auto-realização.
Ao subir na pirâmide vamos sendo mais genuinamente nós. A auto-realização tem a ver com a descoberta das genuínas potencialidades de cada indivíduo. Por exemplo, eu penso que o meu objectivo é conseguir sobreviver, se eu o conseguir alcançar não me auto-realizo genuinamente (não atinjo o último nível da pirâmide).



Interpretação Humanista de Frankl

Sem olhar para o passado e não ignorando o presente, o Homem pode sempre optar por dar um sentido à sua vida.
A não descoberta deste sentido para a vida levará a um método inadequado de resolver os problemas da existência diária, ao passo que descobri-lo permitirá suportar o pior da vida.
O seu método é o de alargar a percepção de cada individuo de maneira que possa olhar a vida num perspectiva correcta.
Conclui-se, então que, exige-se que cada um descubra para a sua vida um sentido e aceite a responsabilidade da escolha.

“Aquele que tem um porquê para viver quase pode enfrentar qualquer como”
Nietzsche

Nota: Nenhuma destas correntes psicológicas nega o inconsciente.
RELAÇÕES PRECOCES E A PERSONALIDADE





Relação filho-mãe

Segundo Harlow esta relação passa por quatro fases sucessivas:





1. Estádio dos reflexos

2. Estádio de conforto e apego

3. Estádio de segurança

4. Estádio de separação


Quando há hiperprotecção materna, a mãe impede o filho de desenvolver o sentido de independência. Esta podia ter o mesmo efeito que não ter mãe visto que ambas as circunstâncias impediriam a criança de explorar novas situações e de desenvolver a capacidade de fazer as coisas por si, sem tímida hesitação ou retracção.
Viu-se que, ao separarem-se das mães crianças entre os 2 a 4 anos, para serem colocadas em hospitais ou orfanato, manifestaram tipos de reacção protesto-desespero. Algumas, restabeleciam-se imediatamente da depressão quando colocadas de novo ao pé da mãe. Outras, manifestaram desapego, indiferença e/ou hostilidade clara perante a mãe. Isto deve-se à capacidade cognitiva da criança permitir-lhe analisar a situação e, provavelmente, atribuir-lhe culpa.



Consciência de si

A aprendizagem sobre si é uma tarefa gradual.
O bebé deve aprender que existe como indivíduo distinto dos outros que o rodeiam.
Epstein comparou a aprendizagem de si com a aprendizagem de conceitos: a partir de uma variedade de experiências, pode adquirir-se uma resposta comum.
É necessário um determinado nível intelectual para ter consciência de si. As crianças até aos 10 meses e alguns indivíduos com atraso mental comportam-se em frente ao espelho como se a imagem fosse de outrem.
Afirmou, também, que o conceito de si é uma espécie de teoria sobre si mesmo ou seja, representa uma concepção de si. A teoria do sujeito pode variar em termos de validade (exactidão à deformação) e generalidade (flutuando ou permanecendo estável em relação às situações).



Auto-estima

Quando a criança aprende as reacções ao comportamento alheio também aprende a responder a aspectos diferentes do seu comportamento.
Estas respostas tendem a diferenciar-se. Uma vertente importante da reacção a si é a auto-estima pois corresponde ao valor e competência que cada um de nós atribui a si próprio.
Os rapazes com auto-estima elevada tendem a ser mais activos, bem sucedidos, espontâneos, autoconfiantes e optimistas manifestando pouca ansiedade e pouca tendência para a destruição. A baixa auto-estima caracteriza-se por sentimentos de depressão, desanimo, isolamento, antipatia e medo de irritar os outros.
Coppersmith afirmou que quanto maior é a auto-estima, menos problemas as mães sentem com os filhos e menor a tendência destes à destruição.
Um dos factores que influenciam a auto-estima é a disciplina dos pais. Uma disciplina forte e uniforme, baseada mais em recompensas que em punições, tende a produzir maior auto-estima. A falta de disciplina é, por vezes, interpretada como falta de interesse por parte dos pais. As crianças com baixa estima adoptam, frequentemente, a atitude de pouco respeito que os pais revelavam pelo seu valor. Em contra partida, os pais com confiança em si instalavam nos filhos a ideia de que podiam ter êxito.
A criança a quem se diz a todo o momento que é má ou que não vale nada começa a aceitar esse retrato de si como verdadeiro e a comportar-se de acordo com esse tipo de expectativa.
A auto-estima é fulcral pois não se limita à avaliação própria, também determina como o indivíduo se comportará no futuro.

Eu moral

O eu moral é outra reacção das reacções a si. As crianças podem aprender a ter em conta os desejos dos outros.
Ela aprende a avaliar o próprio comportamento em termos destes valores, sendo reforçada quando o seu comportamento está de acordo com as normas sociais ou censurada quando não o está, sentido, por fim, prazer ao observar as normas e culpa ao transgredi-las.
Os conceitos de si podem variar em diversas situações ao longo da vida pois cada um de nós é obrigado a desempenhar vários papéis diferentes na vida. Por isso, não é de admirar que, as nossas avaliações das diferentes situações variem. Estas reacções são originadas pelas características distintas dos estímulos dos ambientes em que os diversos papéis são desempenhados.

Características da Personalidade:

Esquizofrenia

Hipocondria

Depressão

Histeria

Desvio Psicopático

Masculinidade - Feminilidade

Paranóica

Psicostenia

Hipomania

Introversão Social

Nota: Estas características foram retiradas de um teste que visa analisar o carácter do indivíduo em entrevistas

Psicogenética:

Não herdamos a nossa personalidade como herdamos o cor da pele mas, a hereditariedade tem influência na personalidade pois trabalhamos com o nosso corpo e, tanto a estrutura como o funcionamento deste são influenciados por factores genéticos.
A hereditariedade influencia, também, a probabilidade com que podem ocorrer tipos de comportamentos particulares. Por exemplo, as reacções ao álcool têm uma base genética. Os orientais, após a ingestão do álcool reagem mal, com sintomas de intoxicação, o que não se verifica entre os caucasianos. Esta diferença genética pode justificar a baixa incidência de alcoolismo entre os orientais e o contrário em relação aos caucasianos.
O ritmo do desenvolvimento maturacional está relacionado com características de personalidade (controlo selectivo). O facto de ser adulto, no aspecto físico, aumenta a probabilidade de obter reforçamento das interacções sociais, e a imaturidade física inibe o comportamento interpessoal.


Interacções entre genética e ambiente

A hereditariedade não determina o comportamento tão rigidamente a ponto de não poder modificar-se pela experiência. O património genético do animal é susceptível de produzir uma grande variedade de comportamentos, sendo uma resposta numa determinada situação condicionada pelas experiências.
A hereditariedade e o ambiente exercem uma influencia recíproca no nosso comportamento.

Em conclusão, as diferenças genéticas parecem exercer um papel importante na modelação da nossa personalidade.
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