Barreiras é um município brasileiro do estado da Bahia. Sendo o décimo segundo mais populoso deste Estado, com uma população de 137.428 habitantes, possuindo uma área de 7 895,241 km². A cidade é cortada pelo Rio Grande, principal afluente da margem esquerda do Rio São Francisco e é atravessada por 3 rodovias federais, situando-se na região oeste do estado.
A cidade é um importante polo agropecuário e o principal centro urbano, político, educacional, tecnológico, econômico, turístico, político e cultural da região oeste da Bahia.
Barreiras junto as suas cidades circunvizinhas compõe a maior região agrícola do nordeste, além da agricultura irrigada familiar presente no município, com destaque para a produção de frutas. Além dessas potencialidades, pode-se perceber também intensa atividade comercial abastecendo toda região num raio de 300 km. Hoje, por força de seu grande desempenho nos setores do comércio e da prestação de serviços, Barreiras ocupa a posição entre os maiores centros econômicos e populacional do estado e o principal da região nacionalmente conhecida pela força de seu agronegócio.
Origem de Barreiras
A origem do município de Barreiras está relacionada à atividade pecuária extensiva, agricultura mercantil e ao comércio, através da navegação do Rio Grande, maior afluente a margem esquerda do Rio São Francisco.
A partir de 1870, o então povoado de “São João das Barreiras” recebeu um grande número de imigrantes vindos das regiões sul e sudeste do país, que chegaram impulsionados pelo extrativismo e exportação da borracha da mangabeira, o que determinou um rápido crescimento econômico do lugarejo. A agroindústria da cana-de-açúcar inicia, assim, os seus primeiros passos no século XIX. As fazendas já possuíam seus engenhos, suas rústicas casas de farinha e rodas d’água para mover as engenhocas de beneficiar o arroz e o milho.
No início do século XX, a agricultura e a pecuária continuavam a se desenvolver nos mesmos moldes, mas já se cultivava o algodão e a mamona, que eram exportadas ao natural ou beneficiadas em descaroçadeiras e prensas para extrair o óleo. A navegação era a única forma de transporte da região. A produção de algodão e mamona crescia e era toda escoada pelo porto de Barreiras, determinando o progresso do município.
Com a implantação da hidrelétrica, a segunda da Bahia, construída por Dr. Geraldo Rocha, em 1928, Barreiras viveu uma época de grande prosperidade. A chegada da energia elétrica impulsionou as usinas beneficiadoras de cereais e algodão, possibilitou a instalação de uma fábrica de tecidos e fios de algodão e de um curtume industrial instalados pelo Cel. Baylon Boaventura.
Nesta mesma época, Dr. Geraldo Rocha, havia fundado a empresa Cia. Sertaneja e, através dela, muito realizou para o progresso de Barreiras. Na década de 1930, Dr. Geraldo Rocha, constrói um grande Frigorífico Industrial que produzia e exportava charque, paio, salame e salsicha.
Projeção no País
Com a inauguração do aeroporto em 1940, que serviu de base militar americana durante a Segunda Guerra Mundial, a cidade foi projetada no cenário nacional. Após a guerra, o aeroporto passou a ser operado pela companhia de aviação Panair do Brasil, ligando Barreiras aos grandes centros. O intenso tráfego de aviões deu um enorme impulso à economia da região.
Até a metade do século XX, a pecuária extensiva, junto com a produção agrícola e o extrativismo da borracha, continuava sendo à base da economia e a fonte de divisas do município, o que favorecia o crescimento do comércio local.
O comércio continuava movimentado através do porto do Rio Grande. Por ele se exportava toda a produção local e das regiões vizinhas e, também, se importavam os produtos industrializados, transportados em tropas de burros, para toda região e o estado de Goiás.
A cidade localizada em um ponto estratégico se desenvolvia como importante entreposto comercial. Era o eixo de entroncamento das estradas com o rio navegável, onde tropeiros e boiadeiros se encontravam com as barcas que faziam o transporte dos produtos para os centros consumidores. Profissionais liberais ofereciam serviços médicos, dentários e farmacêuticos. Barreiras possuía energia elétrica, boas escolas, tipografia, tendo sido implantada em 1942, a primeira agência do Banco do Brasil da região. Por tudo isso, Barreiras ocupava uma posição de liderança regional.
Chegada do 4º BEC
No início da década de 1970, um amplo programa para eliminar as principais barreiras estranguladoras do crescimento foi implantado pelo Governo Federal. O programa consistia em investimentos públicos na infra-estrutura, estradas, energia, viabilização de pesquisas, tecnologia e apoio financeiro.
Chega a Barreiras o 4º Batalhão de Engenharia e Construção – BEC, para construir o trecho da BR 020, de Barreiras a Brasília, e concluir o trecho da BR 242 de Barreiras a Ibotirama, ligando definitivamente por estrada asfaltada Barreiras a Salvador.
Com o 4º BEC, veio para Barreiras um contingente de cerca de cinco mil pessoas entre militares e funcionários, em sua maioria dos estados do Ceará, Pernambuco e Paraíba, produzindo um impacto na vida econômica e social da cidade. Após o término da construção das rodovias, a cidade sai do isolamento. Interligada por estradas asfaltadas a Salvador e Brasília e outros centros do litoral nordestino, confirma sua privilegiada localização tornando-se um importante entroncamento rodoviário entre o Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país.
Introdução da Soja
A partir dos anos 1980, tornou-se possível o desenvolvimento de culturas graníferas, principalmente da soja, que juntamente com a pecuária semi-intensiva e extensiva em bases bem diferentes das anteriores, definiram uma nova realidade produtiva e econômica na região. A partir daí iniciou-se a exploração agrícola economicamente viável das áreas de cerrados, com os agricultores pioneiros, introduzindo o plantio de arroz e soja em terras de sequeiro. Esse processo foi se expandindo à medida que novos agricultores aqui chegavam atraídos pela disponibilidade de terras baratas, com topografia plana favorável a agricultura mecanizada, temperatura e luminosidade adequadas e um potencial hídrico abundante. Na década de 1990, Barreiras assume definitivamente a posição de principal centro urbano e econômico da região.
Ciclos de Desenvolvimento
Outro fato, que influenciou o desenvolvimento econômico e a formação cultural de Barreiras, foram os quatros ciclos imigratórios em diferentes épocas que a cidade vivenciou.
O primeiro, em 1870 com a extração da borracha da mangabeira. O segundo, no final da década de 1950, com a chegada dos trabalhadores do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca – DNOCS para abrir a estrada Fortaleza/Brasília. O terceiro em 1970 quando com a chegada do 4º BEC para construção da estrada Brasília/Ibotirama. Na década de 1980, o quarto ciclo foi um grande marco na história, na economia e cultura do município, com a vinda de agricultores do sul do país para implantar a cultura da soja transformando a Região Oeste na nova fronteira agrícola do Brasil.
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