A boa vitória do Grêmio em São Januário

Aos 5 minutos, em São Januário, com mais de 12.370 pagantes, Cris permitiu que Barcos abrisse o placar contra o Vasco. Ao desavisado que não torça nem para os cruzmaltinos nem para os tricolores, Cris estreava pelo Vasco depois de sair, para alívio dos gremistas, do time gaúcho. Ou seja, o “permitiu” aí da primeira linha foi fruto de uma furada vexaminosa, não de um passe, como seria possível até poucos dias atrás. Cris é um desses casos misteriosos do futebol. Sério, diferentemente, por exemplo de outro ex- gremista que foi repatriado pelo futebol do Rio, profissional sem restrições de comportamento, mas um zagueiro desastrado, embora com carreira respeitável no futebol francês. Então, o Vasco, com suas fragilidades, teve de ir à luta. E foi, mas quase sem incomodar a defesa gremista. Até que, para variar, Juninho bateu falta cruzada pela esquerda e Alex Teles desviou contra o próprio gol, aos 24. Era um prêmio ao esforço, não ao desempenho técnico. Que durou pouco, 12 minutos, porque Ramirou acertou um belo chute de fora da área para repor o Grêmio na frente. Tudo voltou ao começo do jogo e assim ficou até o intervalo. Para o segundo tempo, o Vasco veio com Tenório e Montoya nos lugares de Éder Luís e Pedro Ken. O Vasco esboçou pressionar, Pará respondeu chutando na trave carioca e, em seguida, ótima jogada individual de Barcos gelou a chuvosa noite na Colina: 3 a 1. Aos 20, Dorival Jr., pôs Marlone e sacou Henrique. O jogo virou um embate entre o voluntarismo estéril do Vasco contra a segurança organizada do Grémio, que tinha menos a bola, mas era mais perigoso e esteve mais perto do quarto gol do que sofrer o segundo. Só que futebol é futebol e, aos 40, aproveitando-se de um escanteio batido por Juninho pela direita, André diminuiu para 3 a 2, prêmio ao indiscutível esforço vascaíno. O Grêmio somou seu nono ponto nos últimos nove que disputou. Com a dupla Gre-Nal, o futebol dos pampas insinua que será protagonista até o fim deste Brasileirão, ao passo que o futebol da Cidade Maravilhosa, atual detentor do maior título nacional, parece que se limitará ao Botafogo, situação, também, do futebol paulista, restrito a apenas um candidato ao título, o Corinthians.
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