Luzia Gomes Caseiro Paião,
37, é estudante de Enfermagem na Unoeste e casada com o empresário
Marcelo Dias Paião, 41. Juntos, eles têm a Verônica de 13 anos, que
desde os seis foi diagnosticada com dislexia e transtorno do déficit de
atenção com hiperatividade (TDAH) e faz tratamento com o metilfenidato,
mais conhecido por Ritalina.
Nesta segunda-feira (16), o casal esteve no Teatro César Cava
da universidade para assistirem a palestra “Da Ritalina® ao suicídio: o
que está acontecendo com os estudantes”, ministrada pelo psiquiatra
coordenador do Ambulatório Regional de Transtornos de Ansiedade do
Hospital Regional (HR), Samuel Augusto Ferreira Aurélio.
Organizada
pelo curso de Medicina da universidade, em parceria com a Liga de
Toxicologia, a atividade está contextualizada na 20ª Semana de Prevenção
ao Uso de Drogas (Sepreud). Para Luiza, essa iniciativa foi uma ótima
oportunidade de se informar.
“Há alguns anos, quando a nossa filha
começou a tomar esse medicamento, não tínhamos muito conhecimento, até
havia receio se o que estávamos fazendo era certo ou não”.
Paião
lembra que, com o passar do tempo, o casal buscou estar mais por dentro
do assunto. “Além disso, acompanhamos a melhora gradativa da nossa
filha, no que diz respeito ao seu desenvolvimento intelectual. Graças a
essa evolução, a dosagem do remédio foi reduzida e, hoje, continuamos
com o acompanhamento de vários profissionais entre neurologista,
psicólogo e psicopedagogo”.
O relato acima é uma história positiva
do uso da Ritalina, todavia, Aurélio alerta que todo medicamento,
dependendo da dose, pode ser benéfico ou trazer danos à saúde.
“Existem
diversas contraindicações para o metilfenidato, sendo que a primeira
delas é a ansiedade e retenção, características predominantes em
universitários, estudantes e concurseiros que buscam nessa substância,
os efeitos que ela provoca no Sistema Nervoso Central (SNC)”.
Médico
psiquiatra na secretaria municipal de saúde, Aurélio que também é
docente do curso de Medicina da Unoeste, explica que a Ritalina é
conhecida como a droga da atenção.
“Esse medicamento estimula
várias regiões do SNC, provocando a ativação do córtex e o aumento do
nível de alerta. Consequentemente, a concentração da atividade mental
sobre um objeto determinado é maior”.
De acordo com ele, a
utilização da substância de forma indiscriminada e sem prescrição médica
pode precipitar outras patologias psiquiátricas.
“Transtornos de
ansiedade e de humor, ataques de pânico, fobias específicas e até mesmo
quadros de psicose podem surgir com essa utilização irregular. Fazendo
um link com a questão do suicídio, um dos fatores predisponentes para
esse ato, é justamente a comorbidade psiquiátrica de pessoas com
transtornos mentais, abusadores em potencial ou de dependentes
químicos”, esclarece.
A 20ª edição da Sepreud contou com uma
plateia que lotou as dependências do teatro, com mais de 400 pessoas,
entre acadêmicos de diversas graduações da instituição e de outras como
da Unesp, além de profissionais da comunidade em geral.
É o caso
da Ana Paula Marcilio e Rosângela Santos Lima, respectivamente,
psicóloga e enfermeira do Lar Santa Teresinha do Menino Jesus na
Providência de Deus de Presidente Prudente, que vieram com a amiga
Gabriele da Silva Reis Pessoa, que também é enfermeira.
“Atuo em
uma comunidade terapêutica gratuita que busca a recuperação de
adolescentes e adultos do sexo feminino dependentes de álcool e drogas.
Para mim, essa abordagem é de suma importância, pois pode me dar uma
visão mais detalhada sobre a Ritalina”, expõe Ana Paula.
Para a
acadêmica do 4º termo de Medicina, Gabriela Piai, o uso desenfreado do
metilfenidato é uma realidade que está bem próxima. “Não tem como fechar
os olhos para essa situação e, por isso, acho relevante esse momento de
reflexão na universidade”. Roberta Sila Barbosa, cursa o 7º termo de
Psicologia e é presidente da Liga de Toxicologia.
“Desde quando
iniciei a graduação tive a pretensão de me envolver em questões ligadas à
prevenção ao uso de drogas”. Ela conta que já passou por experiências
de recuperação de dependentes químicos.
“Essa batalha que muitos
travam diariamente é possível e pode ser vencida. Mas antes que ela
aconteça, podemos quebrar tabus e discutir temas como o de hoje, que
podem ajudar a orientar esses estudantes para que eles não se tornem
dependentes desse medicamento”.
Fonte: Notícias ao minuto


